Com pouco menos de 40 mil habitantes, a cidade de Santa Rita do Sapucaí é hoje um importante centro mineiro de tecnologia e empreendedorismo. A construção de uma escola técnica de eletrônica – a ETE “FMC” – foi o passo fundamental para a formação de profissionais qualificados na área que, com o estímulo empreendedor, começaram suas empresas na década de 70.

Hoje a cidade abriga aproximadamente 150 empresas do setor eletroeletrônico, gerando cerca de 14 mil de empregos e um faturamento de 3 bilhões de reais por ano (segundo o sindicato local, com dados de 2014).

Focado na produção de eletrônicos, o polo tecnológico de Santa Rita atende principalmente os setores de telecomunicações, segurança, informática, radiodifusão e eletromédicos.

O INÍCIO DO VALE DA ELETRÔNICA

Em uma região tradicionalmente conhecida pela economia agropecuária, a benfeitora Luzia Rennó Moreira, que conheceu o princípio da eletrônica em uma viagem ao Japão, fundou a primeira escola técnica de eletrônica da América Latina. A Escola Técnica de Eletrônica “Francisco Moreira da Costa”, criada em 1959, traria uma nova realidade à cidade. A semente havia sido plantada.

Logo depois, em 1965 fundou-se uma faculdade de engenharia, o Inatel – Instituto Nacional de Telecomunicações – que atualmente oferece cursos de graduação e pós-graduação na área de engenharia, além de possuir um centro de prestação de serviços de tecnologia. A incubadora de empresas do instituto fortalece ainda mais o incentivo ao empreendedorismo local, tendo graduado mais de 40 empresas em seus 15 anos de história.

Para completar a base acadêmica da cidade, uma faculdade de administração e informática – a FAI – que desde 1971 capacita alunos da região e foi a pioneira em Minas Gerais a incluir o empreendedorismo no projeto pedagógico de seus cursos.

As três instituições foram então responsáveis pela atração de estudantes e pela formação de uma geração de empreendedores que, ainda nos anos 70, fundaram suas empresas e se estabeleceram no mercado.

A mais antiga delas, a Linear Equipamentos Eletrônicos (1977), chegou a instalar mais de 37 mil equipamentos no setor de radiodifusão em mais de 40 países. Seu potencial atraiu a atenção de investidores estrangeiros, e em 2011 foi adquirida pela multinacional japonesa Hitachi.

Com o surgimento de tantas empresas no Vale, em 1990, foi criado um sindicato para representa-las, o SINDVEL – Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica – que tem por objetivo defender os interesses das empresas associadas e buscar o desenvolvimento social e tecnológico em seu ambiente.

A articulação entre tais instituições e o apoio do governo, em âmbito municipal, estadual e nacional, permitiu que Santa Rita do Sapucaí se consolidasse como um potencial polo tecnológico, levando ao mercado brasileiro e internacional seus produtos eletroeletrônicos.

NOVO PARQUE TECNOLÓGICO

O novo desafio da cidade atualmente é conseguir o investimento, estimado em 6 milhões de reais, para a construção de um parque tecnológico que deve abrigar 50 empresas. Com a aprovação do governo do Estado será construída uma área de aproximadamente 4 mil metros quadrados. Dessa forma, pretende-se intensificar a cooperação entre a academia e as indústrias além de facilitar o acesso a recursos de órgãos de fomento, potencializando o vale da eletrônica.

 


Se interessou pelo vale da eletrônica? Saiba mais sobre o começo de sua história através do livro “Sinhá Moreira: uma mulher a frente de seu tempo”, de Lilian Fontes pela editora Gryphus. Nele você vai entender melhor como uma aristocrata apostou seus próprios recursos no desenvolvimento tecnológico de uma pequena cidade do interior de Minas Gerais.