Já falamos aqui sobre polos tecnológicos e hoje o objetivo é entender melhor o que é um APL – Arranjo Produtivo Local. Com a globalização e a alta competitividade dos mercados, cada vez mais as instituições de uma localidade se reúnem em prol do seu desenvolvimento, buscando meios de fortalecer seus negócios e promover o crescimento comum.

A eficiência da cooperação comprovada por modelos como o Vale do Silício gerou interesse e maior atenção à politicas locais de integração e desenvolvimento coletivo.

Também conhecidos como sistemas produtivos locais ou clusters, os APLs têm se destacado como forma de integração de agentes. Entre a variedade de suas definições, podemos entendê-los como aglomerações de agentes que fazem parte de um conjunto de atividades econômicas vinculadas a um determinado setor. Esses agentes podem ser públicos e privados, como empresas, consultoras, clientes, associações, escolas e universidades, institutos de pesquisa, financiadoras, entre outros.

Essa configuração é particularmente especial às pequenas e médias empresas, que apresentam maiores dificuldades de inserção no mercado nacional e internacional, e que, com politicas de cooperação podem aumentar sua competitividade.

Estratégias de cooperação têm servido de exemplo a diversos setores, estimulando a formação de organizações de agentes como cooperativas, associações, sindicatos, sociedades, etc. Entretanto, um APL não é necessariamente determinado por uma pessoa jurídica, mas trabalha na ênfase dos aspectos locais para o desenvolvimento e maior competitividade de suas empresas.

A ideia então é que os custos e os benefícios sejam compartilhados e o desenvolvimento facilitado através da ação conjunta. Dessa maneira pode-se compartilhar recursos, combinar competências, fortalecer o poder de compras, dividir o ônus de realizar pesquisas tecnológicas, partilhar riscos e oportunidades de explorar novas oportunidades, melhorar a capacitação profissional e a qualidade dos produtos, etc.

CARACTÉRISTICAS DE UM APL

Segundo o Sebrae, importante entidade nacional de apoio às micro e pequenas empresas, um Arranjo Produtivo Local deve apresentar algumas características marcantes, independentemente de seus estágios de evolução.

Dentre elas, uma dimensão territorial definida onde se dá a cooperação; a diversidade de atividades e atores econômicos, políticos e sociais que interagem entre si; e o conhecimento tácito compartilhado entre os agentes.

Outra característica comum em APL’s mais desenvolvidos é o estabelecimento de uma governança como forma de coordenação dos agentes envolvidos.

Apresentando tais características, em maior ou menor grau, pode-se constituir um APL. A partir de então, podem variar em vista da importância para o desenvolvimento local.

Os APL’s incipientes são os que ainda apresentam resultados aquém de seu potencial, mesmo que já existam e gerem externalidades positivas.
Outros ainda estão em desenvolvimento, atraindo novos agentes e em processo de potencialização de suas atividades.

Já os APL’s desenvolvidos são os propulsores do desenvolvimento local, gerando mão-de-obra capacitada, novos negócios, etc.

É importante ressaltar que a aglomeração de empresas ainda pode variar em seu tamanho, faturamento e também se a cooperação ocorre verticalmente (quando as empresas participam de varias etapas do processo produtivo) ou horizontalmente (quando se destacam por fazer uma parte do processo).

Além disso, a fronteira de um município não é sempre limitadora de um APL. Apresentando uma identidade coletiva e uma convergência em termos de expectativas de desenvolvimento, pode-se firmar um APL mesmo com empresas que apresentem certa distância territorial, mas que tenham atividades vinculadas.

Fundamental é que ocorra uma troca de informações produtivas, tecnológicas e mercadológicas, além de projetos conjuntos, treinamentos, participação em eventos, ou seja, que os agentes estejam integrados e em constante intercâmbio.

APL’s BRASILEIROS

Com o objetivo de desenvolver a indústria brasileira, o governo tem apoiado nas últimas décadas a formação e a sustentação de alguns APLs pelo país. O último levantamento, de 2014, do Grupo de Trabalho Permanente para Arranjos Produtivos Locais coordenado pelo MDIC identificou 667 arranjos no Brasil.

Entre eles estão:

  • Biotecnologia – Belo Horizonte, MG
  • Eletroeletrônicos – Santa Rita do Sapucaí, MG
  • Tecnologia da Informação – Londrina, PR
  • Calçados – Franca, SP
  • Software – Ribeirão Preto, SP
  • Apicultura – Capitão Poço, PA
  • Etanol – Piracicaba, SP
  • Tecnologia da Informação e Comunicação – Porto Digital, PE

 


Você pode encontrar mais informações sobre os APLs brasileiros no site Observatório Brasileiro de APL.